Koff detona atitude da Geral: "Que torcedor é este que vai ao estádio para prejudicar o clube?"Organizada entoou cânticos com a palavra "macaco" durante a vitória sobre o Bahia
DIÁRIO GAÚCHO Atualizada em 31/08/2014

Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS
A tarde da vitória do Grêmio diante do Bahia foi marcada por uma série de protestos contra o racismo, uma tentativa de apagar a imagem deixada pela atitude discriminatória sofrida pelo goleiro Aranha. Por outro lado, também teve cânticos entoados pela Geral com a palavra "macaco". Após o jogo, o presidente Fábio Koff revoltou-se contra a atitude da organizada.
— Eu tenho a lamentar, de novo, os cânticos racistas, que não cabem dentro de um estádio. Não há como o Grêmio admitir, como instituição. Estamos enfrentando problemas com torcedores com muito rigor. Temos sofrido as consequências por isso — destacou, para depois completar:
— Hoje uma facção da torcida praticamente acaba com a tese do Grêmio (no julgamento de quarta-feira). Parece que propositalmente querem acabar com a tese do Grêmio. Que torcedor é esse que vai ao estádio para prejudicar o seu clube?
Nos minutos finais do primeiro tempo, torcedores no setor da arquibancada norte, onde a organizada se posiciona, entoaram cânticos com a palavra "macaco" se referindo ao Inter e seus torcedores. Foram imediatamente repreendidos com vaia pela maioria dos gremistas presentes. Na sexta-feira, a Torcida Jovem emitiu nota em que prometeu suprimir de seus cânticos a alcunha comumente utilizada por gremistas para designar o rival.
Com exceção dos cantos atrás da goleira, o jogo foi repleto de demonstrações de repúdio ao racismo. Antes da partida, um vídeo com mensagens contra o preconceito racial foi exibido nos telões do estádio. O Grêmio entrou em campo carregando uma faixa com a inscrição: "somos todos azuis, pretos e brancos. Chega de racismo".
Pelas arquibancadas e cadeiras da Arena, as manifestações contra a intolerância se espalharam. Mensagens em cartazes levados pelos torcedores procuravam explicar que o episódio de quinta-feira não significa que o Grêmio e seus torcedores são racistas.
Grêmio prepara defesa em julgamento e descarta fechar espaço da Geral. Compromisso de identificar e punir os torcedores envolvidos na injúria racial contra o goleiro Aranha, do Santos, é o trunfo do clube
por Luis Henrique Benfica, DIÁRIO GAÚCHO 31/08/2014 | 17h25

Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS
Por enquanto, o compromisso de identificar e punir os torcedores envolvidos na injúria racial contra o goleiro Aranha, do Santos, é o trunfo do Grêmio para o julgamento de quarta-feira, às 14h, na comissão disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), no Rio. A exclusão da Copa do Brasil ou a perda de até 10 mandos de campo em jogos do Brasileirão são ameaças ao clube.
Foram identificados dois sócios, já suspensos preventivamente. Um deles é Patrícia Moreira, flagrada por câmeras gritando a palavra macaco. Um procedimento disciplinar junto ao Quadro Social poderá determinar a exclusão definitiva.
A suspensão do jogo de volta já é considerada pelo Grêmio uma punição antecipada, pela imagem que traz para o clube. Agora, a luta é para evitar uma sanção maior.
— Não aceitamos a pecha de clube racista. Temos tomado todas as medidas necessárias para evitar atos dessa natureza. A condenação do clube será a vitória das minorias intolerantes — avalia o diretor jurídico Thiago Brunetto.
O Grêmio não cogita fechar o espaço que abriga a torcida Geral. Considera a medida elitista, por roubar do torcedor a chance de pagar ingresso mais barato. Além disso, os dirigentes se dizem convencidos de que os baderneiros migrariam para outros setores da Arena.



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